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A PREVISÃO SONORA

Uma pesquisa combinada do Centro de Neuroimagem e Psicologia de Glasgow e do Laboratório de Cognição e Imagem de Genebra da Suíça estão conseguindo mostrar a relação neurológica entre visão e audição.

Procurando uma ligação entre esses dois sentidos, os cientistas conduziram uma série de experimentos nos quais os sujeitos eram vendados e recebiam apenas a estímulos auditivos. O objetivo era descobrir como a informação, originária da audição e estímulos imagéticos poderia afetar o córtex visual primário sem que exista qualquer tipo de estímulo visual.

Aos poucos os pesquisadores aferiram que os barulhos de floresta, pessoas e tráfego poderiam ativar áreas do córtex auditivo, e ligeiramente do córtex visual. Porém não tinham impacto em outras áreas não relacionadas, como o córtex motor. Pouco a pouco, os cientistas continuaram isolando as áreas do cérebro mais afetados por estímulos unicamente sonoros.

Em uma segunda experiência, os sons eram seguidos de silêncio. Mesmo assim as áreas relacionadas à visão continuaram a manter atividades, como se o som permanecesse em suas mentes durante o silêncio, porém em forma de imagens.

Os experimentos que seguiram foram mostrando que mesmo com estímulos indiretos e imagéticos (palavras) ou estímulos mecânicos  - focando no córtex motor – não afetaram com tanta precisão quanto o estímulo sonoro. Demonstrando a possível percepção cognitiva visual do som, e que esta é mais direta do que a compreensão significativa das imagens ou das percepções táteis.

Seus experimentos mostraram também que compreensão cognitiva do som é trabalhada por ambas partes do cérebro (córtex auditivo e visual). Estimulando os sujeitos com sons caracterizados como “humanos” (crianças brincando, pessoas conversando) e como “inanimados” (avião decolando, trânsito) e depois comparando os resultados das respostas cognitivas entre si, os pesquisadores conseguiram demonstrar que áreas distintas do córtex pré-visual eram ativadas em ambos os casos.

O trabalho indica que o cérebro está constantemente procurando indícios e previsões. Os órgãos do sentido e, em especial a audição, é valiosa nesse processo. As áreas responsáveis pela percepção dos sentidos são estimuladas em harmonia para depois serem processadas pelas áreas conhecidas como ‘superiores’, como o Hipocampo.

Partindo dos dados aferidos, que os estímulos auditivos afetam o córtex visual primário, é proposta a hipótese de que a audição pode ser uma forma de compreensão do mundo anterior à visão, como uma forma de preparação para o cérebro de maneira abstrata e não lógica.

Nossos resultados demonstraram que informação abstrata de um estimulo não-visual, induzido por estímulos de som complexos e mental-imagéticos, consegue ser traduzido pelo córtex visual primário. A razão pela qual tal informação abstrata é compreendida assim, pode ser uma forma de induzir o córtex  a preparar-se para a informação visual que está a vir (VETTER, P. et al)



Petra Vetter, Fraser W. Smith, Lars Muckli
Centre for Cognitive Neuroimaging, Institute of Neuroscience and Psychology, College of Medical, Veterinary and Life Sciences, University of Glasgow.
Laboratory for Behavioral Neurology and Imaging of Cognition, Department of Neuroscience, Medical School and Swiss Center for Affective Sciences, University of Geneva.