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AUDIO BRANDING - UMA DISCIPLINA

Por Steve Keller

Recentemente, uma estudante em busca do seu Ph.D. em Psicologia da Música me procurou para uma entrevista. Na conversa eu mostrei meu interesse em criar uma disciplina de audio branding. Ela achou interessante e quis saber mais sobre minha escolhas de palavras.

”Nós estamos entendendo cada vez mais a importância de ‘usarmos nossas cabeças’ – olhar para a ciência em busca de ajuda, ir em direção a prever melhor os resultados dos pontos de contato que procuramos entre as marcas e seus consumidores”

O que você quer dizer com ‘disciplina?’, ela me perguntou.

Eu respondi que, sob a minha perspectiva, o desenvolvimento do audio branding nos últimos tempos se parece com a evolução da Psicologia. Orginalmente domínio dos filósofos, a Psicologia eventualmente se tornou independente e se fez ‘disciplina’ – uma cadeira independente, um aprendizado formal, com sistemas claramente definidos, paradigmas e aplicações efetivas.

Com a evolução da disciplina da Psicologia, também surgem discussões entre as diversas maneiras de compreensão do comportamento humano. Os neuropsicólogos e os psicólogos comportamentais de um lado, com o olhar da metodologia empírica, enquanto os psicólogos existencialistas já partem de uma estrutura mais primordial, das raízes da ‘psique-logia’ – o estudo da alma.

Me veio a mente que o audio branding está em um caminho de desenvolvimento parecido.
Originalmente sob o domínio dos ‘artistas’, o nosso entendimento do poder de criação de uma resposta emocional aos sons foi questionado. Não negamos a importância de ‘seguir nossa intuição’. Mesmo assim ainda precisamos entender mais sobre a importância de seguir nossas cabeças – procurando a ciência para nos ajudar a caminhar em direção a resultados mais efetivos quando estamos construindo uma relação sonora entre consumidores e marcas.

Hoje, audio branding existe no encontro da arte com a ciência. De um lado, procura o desenvolvimento de uma estratégia clara de criação consistente, aplicação e mensuração do som em todos os pontos de encontro sonoros da marca. Do outro lado, permite o aparecimento de algumas boas surpresas – cisnes negros – pelo caminho.
Esses felizes acidentes que permitem resultados poderosos. Procurando um balanço entre esses dois, os especialistas em audio branding são como alquimistas. Combinam metodologias de pesquisas com um toque de instinto criativo apurado.
Fazem parecer mágica, mas não é.

Pessoalmente, isso me anima. A ideia de que há tanto para descobrir é um grande motivador. Há um mundo de som lá fora. E as possibilidades parecem infinitas – até intimidadoras. Ainda bem que há cientistas como Adrian North, Charles Spence e Daniel Levitin, nos quais o audio branding pode confiar e se beneficiar de suas ótimas pesquisas.
A Audio Branding Academy, que lançou seu primeiro Audio Branding Congress em 2009, oferece um lugar para todos que trabalham e estudam o tema, para discussão de ideias e casos, e assim criar e moldar novas histórias e ideias para essa disciplina. Além disso, Julian Treasure tem feito um trabalho excepcional em levar o nosso conhecimento para a Industria.

E, do nosso jeito, a IV e a BACON trabalham em complementar essa conversa, seguindo todas os percursos na evolução e desenvolvimento do Audio Branding.
Desejo que descubramos novas maneiras de entender o valor do encontro entre marcas e som – e como a disciplina de audio branding poderá oferecer novas oportunidades para ampliar relevância e criar um maior reconhecimento de marcas.